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Encarando a máquina. Para quem tem insuficiência renal aceitar o tratamento é seguir com a vida.

Atualizado: 18 de ago. de 2022

“Eu prefiro tentar”! A afirmação é de Julyanne Rabelo, ela tem insuficiência renal. Quando descobriu a doença 86% dos seus rins estavam comprometidos. O tratamento inicial foi conservador, pois naquele momento não foi possível identificar a causa da doença: dieta equilibrada, atividade física e tratamento medicamentoso. A terapêutica não deu certo e 15 meses depois foi prescrito o tratamento de hemodiálise para continuar vivendo.


No primeiro momento, continuar vivendo deixou de ser uma prioridade. “Eu tinha expectativa de morte”, diz a paciente, “chorei por 3 meses até decidir tentar.” O medo e insegurança são bem comuns entre os pacientes que descobrem a doença e fazem hemodiálise, prosseguir com o tratamento é a única saída, enquanto esperam por um doador de órgão.


Afinal, por quê a máquina gera tanta insegurança? O aparelho de hemodiálise é utilizado basicamente para a transformação. Carrega o sangue, faz a filtragem para o paciente e o leva de volta para o organismo, com um único objetivo: equilibrar! Seu dialisador auxilia na retirada do líquido e das toxinas, que o rim não consegue filtrar.


Uma ação combinada em duas partes: paciente, que tem insuficiência renal e a máquina. Um benefício, que tem feito muita diferença na vida de mais de 144 mil pessoas, que fazem o tratamento para dar continuidade à vida. É possível que alguns pacientes, que precisam passar pelo procedimento três vezes por semana, em sessões de 3 a 4 horas, não sintam nada. Algumas vezes, ocorrem aumento ou queda da pressão arterial, câimbras ou dor de cabeça.


O paciente que inicia o tratamento, logo perceberá uma melhora nos sintomas provocados pela doença, como inchaço, falta de apetite, indisposição, cansaço, náuseas, entre outros. No geral, a hemodiálise proporciona mais qualidade de vida para os pacientes.


A insuficiência renal de Gabriella Moreira era congênita. A doença foi descoberta quando ainda era bebê, pois seus rins não funcionavam direito. O primeiro transplante foi realizado quando ainda era menina e sua mãe foi a doadora, mas infelizmente não durou muito tempo. Aos 15 anos, o segundo e uma nova rejeição. Ela conta que não foi fácil aceitar o tratamento com a hemodiálise. Entrou em depressão, sofria com ataques de pânico e precisou cuidar da saúde mental.


“Eu estava finalizando a faculdade de nutrição. Tinha muita coisa para pensar e medo de desistir de tudo. Decidi viver. Aceitei o tratamento, vejo a máquina como minha amiga, que às vezes pega um pouco mais pesado, mas é uma amizade que proporciona mais vida”, diz ela.


É importante, que os pacientes com insuficiência renal não vejam o tratamento como o fim, mas uma continuidade da vida. Gabriella, se casou e tem uma filha. Julyanne, descobriu a doença depois de casar-se, mas reconhece que o tratamento é um recomeço para uma vida cheia de possibilidades.

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