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Histórias de vidas, experiências diferentes e uma palavra que os une: sensação de desamparo.

Ana Paula Carvalho é paciente renal, cadeirante, dependente da hemodiálise e três vezes por semana encara o transporte público para se deslocar à clínica onde faz o tratamento. Ela mora em Belford Roxo, na região metropolitana do Rio de Janeiro. Para evitar qualquer atraso, sai de casa com duas horas de antecedência. Às vezes, precisa contar com a sorte, já que nem sempre a acessibilidade do ônibus está em funcionamento. De carro o trajeto duraria apenas 10 minutos. Paulinha, como é conhecida, recebe um benefício assistencial do Governo Federal e retira pelo SUS a medicação que necessita, mas os suplementos vitamínicos recomendados ao tratamento não entram na gratuidade.



Eduardo Moura, mora em Maricá, no interior do Rio de Janeiro, mas para fazer diálise precisa se descolar para outro município: Itaboraí, distante quase 30km. Diferentemente de Paulinha, o trajeto é compartilhado, além do motorista, com mais quatro pessoas que estão no primeiro turno da clínica de diálise da cidade vizinha, e em muitos casos esse deslocamento e o tratamento consomem entre 06 e 10 horas do dia. Ele não sabe mensurar que fatores pesam mais na vida de quem depende do procedimento para viver, mas sabe que a maior dificuldade é não ter a prestação de serviço disponível na cidade em que mora. Ele acorda às quatro todo dia.


O benefício assistencial auxilia quem não pode trabalhar, mas os custos da suplementação alimentar pesam no orçamento. Sem contar o desgaste e o cansaço de quem viaja três vezes na semana em busca de um tratamento para ter, no mínimo, mais qualidade de vida.


E há até paciente que preferiu renunciar ao serviço de transporte, em benefício da saúde mental. “Quem faz diálise quer sobreviver e quando você compartilha esse espaço no transporte, compartilha dramas, angústias e vivências, mas quando o trajeto termina você está destruído emocionalmente de ver como as pessoas enfrentam tantas dificuldades na vida, sobretudo quando adoece”, revela Karyl da Silva, também paciente renal.


Karyl conseguiu um trabalho e sua jornada começa cedo, mas precisa encerrar às 13h para dar tempo de pegar o terceiro e último turno na clínica de diálise. Ele usa o vale social para pegar o transporte público. Uma jornada que inicia às 15 horas e encerra às 23h30, quando retorna para casa.


Cada um dos personagens tem uma dificuldade que para um olhar menos atento parece individual, mas não é: o desafio de cada um deles é sobreviver. Cada uma dessas histórias mostra a dificuldade que os pacientes renais enfrentam para ter acesso ao tratamento que salva suas vidas, mas eles precisam de mais apoio para viver com maior qualidade de vida. Porque as vidas importam.


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