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Clínicas de diálise em dificuldades não conseguem abrir novas vagas e fazer novos investimentos.

Fila de pacientes sem atendimento continua.


Augusto Saboia Neto é médico nefrologista e administra duas clínicas nos municípios de Quixadá e Iguatu, no Ceará. Para gerir o serviço faz planejamentos de longo prazo, ciente que seu cliente é um paciente portador de doença crônica e precisa do tratamento pelo menos 3 vezes na semana para viver. O volume de dívidas, no entanto, está se acumulando e para tentar reduzir os custos, com água e luz por exemplo, investiu num poço artesiano e na implantação de painéis fotovoltaicos nas clínicas.


“É o que dá pra fazer em termos de gestão, mas os recursos do SUS para custeio do tratamento não são suficientes”, destaca o médico Augusto Saboia Neto.


Ele não está sozinho nesta preocupação. Cerca de 42 clínicas de diálise em todo país já fecharam as portas por insolvência financeira, sendo 6 em 2023. “Os gestores destas clínicas, que ficam na maioria no Sul do país, transferiram equipamentos e instalações para instituições filantrópicas e hospitais públicos em troca da quitação das enormes dívidas adquiridas nos últimos anos para manter a operação até então. A situação é tão crítica, que os gestores temem que isso seja um efeito cascata irreversível. Novos investimentos já deixaram de ser feitos nas clínicas há tempos. O país precisa de mais vagas para pacientes renais, abrir mais clínicas em mais cidades, os serviços precisam ser mais bem pagos, e precisamos evoluir na qualidade da diálise feita no país. São muitos desafios no cenário da nefrologia", destaca o médico nefrologista Leonardo Barberes, vice-presidente da ABCDT.


O presidente da ABCDT, Yussif Ali Mere Junior, disse que esse ano o Ministério da Saúde concedeu um reajuste de 10,3% em resposta ao pleito do setor por uma readequação da Tabela SUS, que define os valores pagos pela pasta aos prestadores de serviço, mas não será ainda suficiente. “As clínicas de diálise enfrentam uma crise, pouquíssimos municípios e estados complementam a verba para a diálise e agora o temor se acentua. Isso porque também estão recebendo respostas negativas de prefeituras e governos sobre o repasse para o pagamento do piso da enfermagem. Vemos o número de pacientes precisando dialisar aumentando, muitos hoje internados em hospitais, e outros até perdendo a vida por falta de atendimento preventivo. Na rede privada, o número de pacientes de diálise cresceu três vezes mais do que no SUS nos últimos 10 anos. Precisamos olhar com atenção a saúde renal dos brasileiros na rede pública. Tratar antes diabetes e hipertensão e evitar a doença renal. Esse é o nosso clamor".


Eduardo Daher tem uma clínica em Belém do Pará e a realidade da prestação de serviço não é diferente do Ceará. Outro estado, mais de 1.600km de distância, mas com as mesmas soluções que auxiliam na redução de gastos.

O administrador também investiu no poço artesiano para dissolver os custos da gestão, mas sabe que o maior peso está nas contas fixas e que não podem ser substituídas, como insumos para a realização da diálise, mas tem resolvido alguns problemas, com a produção básica de solução e ampliando também, além do SUS, o atendimento para o convênio.


O malabarismo é parte integrante desta rotina, que tenta com o apoio da tecnologia driblar os problemas, a burocracia e ganhar fôlego e mais tempo para sobreviver.


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